sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Quando se encontra o nosso olhar P. dá um berro, babando-se de desespero. Arde o infinito no seu estômago vazio e as ondas parecem bater-lhe com mais força. Tem um barco mas não foge. Tem as asas dos falcões mas não as quer. Tem um pai que perdoa mas não lhe pede perdão. Foca o horizonte e não se deixa desmotivar pela amplitude do mar. Assim flutuamos pelo nosso olhar fora. Sem ter. Nem voar. respirando.

domingo, 23 de junho de 2013

Der Geruch deiner Hände!
Gott, deiner Hände der Geruch...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Olhei para as nuvens e pensei vou ter contigo, sem demora Queria dormir contigo na pele dela Ai ela comigo na tua Ao mesmo tempo que tento ser eu disperso-me pelas areias de outrora a maré vermelha à minha volta um só dedo vai de ti, a ela, a mim Roça a língua áspera da rua Um dia parto-te para o brasil não tens mas és e assim águas pelos desertos fora ai ela, oioai Tanto vais como vens, meu mar quem levas contigo vai-se embora

sol de abril vs. roads

Vejo-te, as minhas pálpebras pesam
teus olhos, tristes ranhuras
desenham sonhos que outros desprezam

Onde rios de água ardente queimam florestas inteiras
tudo o que sinto é ansiedade.
quem te inventou negou-me um mundo sem fronteiras

O que eu queria era estar contigo
afundar a minha pele na tua
perfurar os tímpanos do universo
e flutuar pela via láctea até à lua

Permaneço em vão sem idade
num eterno esforço para focar
enquanto que tudo o que vejo
se resume à profundeza negra do teu olhar

freiheit

uma pedra encontrada na praia

com líquido escaldante tento afogar-te
palavra seca que me assombras
beijas-me com lábios vibrantes
mordes os meus até brotarem sangue
a quem rasgas o peito?

passeios nocturnos da minha sombra

argh liberdade!
toca-me com vontade
e exprime com vivacidade
tudo o que tão alegramente ri
Com estas palavras
não obtenho vitória
mas testemunho a fraqueza
que também borbulha em ti
luzes cegam-me, fecho os olhos
em mim nasce algo pequenino
cantava-lhe cores se não fosse
sinto a queda, superfície,
rebento nela, caio fundo
fico quente, dança comigo!
cá em baixo ninguém nos ouve

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

sábado, 26 de abril de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

Pietro Citati sobre Kafka

"[Ele] era uma ausência, uma lacuna, um buraco que alguém tinha escavado, qualquer coisa de absolutamente negativo que um deus negro imaginara, uma forma vazia e inquieta que não conseguia olhar os estranhos na cara, não sabia responder às perguntas, não sabia pensar, falar, comer, amar, dormir como fazem os outros. Não possuía bases nem raízes, não tinha chão onde pousar, nem sequer aquele pouco de terreno onde os outros punham os pés e são sepultados, não tinha pátria nem família, nem coração, nem sentimentos, e se tentava pensar, nem todas as ideias se lhe apresentavam pela rais, mas algures pelo meio, pelo caule. "Experimentem segurar", gritava, "agarrar a vergôntea que começa no meio da haste."
A sua vida era como um exercício de malabaristas japoneses, que sobem por uma escada não apoiada no chão, mas nas plantas dos pés que um companheiro soerguido levanta, e que não se apoia numa parede, mas se ergue no ar sem qualquer outro apoio. Que podia fazer se não imitar aqueles trapezistas do nada, o símbolo mais fiel da sua arte, e também ele subir a escada sem raízes? Assim, foi aprendendo pouco a pouco os seus exercícios".

quinta-feira, 27 de março de 2008

It's only you

Enfim... Falar sobre a noite de ontem torna-se difícil. Simplesmente não se sabe por onde começar -

Lembro-me de temer que a música me arrastasse para os sonhos habituais- queria estar o mais lúcida possível, alargar a minha presença a toda a esfera que nos reunía, abraçar o som, e com um só gesto mágico solidificá-lo! O interminável tempo de espera colidiu com o simples avançar dos segundos num momento tão exclusivo quanto aquele. Arregalei mais os olhos, queria aumentar tudo o que via. Todos nós patéticos amantes. Todos nós revelados... todos abrimos o coração.
Obrigada Portishead!